Calma, gente não pedimos penico não. São apenas nossas férias! Tá chegando, hein, menos de um mês, a gente baixa em Guarulhos antes do Papai Noel, a tempo de passar as festas na terra natal. Temos uma importante lista de coisas a fazer e outra com coisas pra carregar na volta. Na primeira temos coisas vitais como comer uma deliciosa pizza “italiana de são paulo”, e nas coisas a trazer de volta temos itens como leite condensado e essência de eucalipto.
Essa foi memorável. O Guillermo, um cara pouco maluco e por acaso também meu chefe inventou essa festa onde faríamos comida brasileira, na semana passada. A princípio pareceu uma idéia meio fracassada, mesmo porque outro casal de brasileiros não confirmou presença e muito menos outros convidados que enventualmente pingariam por lá. Mas na sexta feira, véspera da suposta festa, o Guillermo foi categórico: “vai ter festa, mesmo que sejam só nós três”. Poético, mas também prenúncio de um fracasso. Justifiquei minha insistência na confirmação do evento pelo fato de que eu e a Nívea deveriamos fazer os preparativos. “Nada disso”, ele respondeu. Se vocês levarem coisas prontas será simplesmente uma “party”, e não uma “cooking party”. Daí que fui entender que a gente deveria chegar de mãos abanando e uma vez todos convivas presentes, sairíamos pro supermercado comprar ingredientes pra então começarmos a cozinhar. Me pareceu uma idéia completamente maluca, mas bastante condizente com o perfil do dono dela. Como somos um casal 75% mineiro (média dos 100% da Nívea com 50% meus), fomos teimosos e na sexta fizemos uns preparativos, baseados no cardápio que escolhemos para a festa: lombo de porco com molho de abacaxi e feijão tropeiro.
Chegamos lá no sábado, umas 6:30h. Já tinham lá 2 convidados além do anfitrião. Em questão de minutos começa a chegar uma galera, que facilmente lotou o apartamento. Éramos um total de 11 pessoas, numa reunião multinacional: 2 casais de brasileiros, o anfitrião espanhol, um finlandês, um casal de franceses, um alemão e um casal de colombianos. A primeira e mais chocante surpresa foi o fato de que metade dessas pessoas não entenderam o conceito ou simplesmente não tinham idéia de que se tratava da tal “cooking party”, e ficaram espantadas com o fato de terem ido a um jantar onde não tinha comida. Em instantes o anfitrião começou a por em prática seus planos tresloucados. Sairiam os homens para o supermercados (sob a justificativa de que é uma fato da natureza que os machos sairem pra caçar e prover alimento enquanto as fêmeas zelam pelo lar). Aí já começou valer a mineirisse: como já tinhamos preparado o lombo da noite anterior, a Nívea já pode iniciar a preparação da comida, enquanto me juntei ao bando de caçadores….
No mercado sob as ordens do anfitrião fomos divididos em “times”, sempre sob suas improváveis justificativas. O time da bebida iria coletar bebidas, e para a tarefa foram designados os europeus do norte pela sua (sic) maior afinidade com o álcool. Os povos do sul foram buscar comida. Os times foram eficientes e em minutos estávamos de volta em casa com comida e bebida. Sem demora me juntei à Nivea na cozinha e demos sequência à nossa última e mais intensa provação: cozinhar em tempo récorde um jantar brasileiro típico pra 11 pessoas, incluindo sobremesa.
Contamos com o apoio do outro casal de brasileiros que trouxeram pão de queijo e brigadeiros. Os pães de queijo serviram bem como appetizers enquanto a galera esperava a janta.
O francês que chegou lá incrédulo que jamais comeríamos alguma coisa que não fosse uma pizza chamada de última hora começou a se entusiasmar ao ver que o casal Padovaz e Nívea sabiam o que estavam fazendo apesar de tudo. E fazendo da longa história uma curta, em aproximadamente 3 horas depois concluimos as cocções e revelamos o lombo soterrado com o molho de abacaxi e uma travessa cheinha do fabuloso e típico feijão tropeiro. E ainda um glorioso pudim de leite condensado pra encerrar a refeição. Detalhe que já era quase 10 da noite, hora “ideal” pra bater um tropeirão. Paciência, isso não seira a coisa mais insana da festa…
A partir daí a recompensa pro casal aspirante a “restauranteur”: elogios e questionamentos curiosos a respeito dos pratos, ingredientes e preparações. No resumo da ópera, sucesso total, todos de barriga cheia, ao som de Ivete Sangalo, conseguimos através da cozinha brasileira agradar colombianos, franceses, espanhois, finlandeses e alemães. Nada mal!
PS.: Não tiramos fotos, uma vez que estávamos ocupados na cozinha. Mas como alguém tirou, em breve vou arrumar as fotos e postar, claro!
Há mais coisas entre o calor de um dia de sol e a neve intensa do inverno que sonha sua vã consciência.
A gente chegou aqui e já soube de poucas e boas a respeito do frio. Agora essa última foi a melhor (ou pior?): black ice, o “gelo negro”. Não bastasse a neve nas ruas, o sal que jogam em cima pra derreter que resulta numa lama maluca, não bastassem as poças dágua nas calçadas que depois do frio congelam e escorregam que é uma maravilha, e que após uma nevasca ficam camufladas pela neve convidando o desvisado a um tombo fenomenal… agora tem essa do gelo negro. O nome sinistro não tem segredo: é gelo e é preto, e não teria lugar melhor pra ele ocorrer: no meio do asfalto das ruas. Parece brincadeira, mas é real e até comum: a umidade do ar ao tocar o asfalto gelado quando o clima está ao redor do zero grau e congela em uma fina camada transparente o suficiente pra ser vista (ou mais provavelmente NÃO ser vista) como uma poça escura, que se camufla perfeitamente no meio da rua. Detalhe: o asfalto que fica gelado o suficiente pra gerar as tais poças de gelo negro é o asfalto das pontes e viadutos, pois ficam suspensos e recebem frio por cima e por baixo. Agora que fomos entender a tal placa que tem antes de qualquer ponte e nas rampas dos viadutos, que ilustra esse post. Resumindo então, temos aqui poças de gelo no meio da rua, especialmente em rampas e em curvas, que escorregam que nem quiabo e que é quase impossível de se enxergar. Bom, muito bom…. mais uma razão pra se ser extremamente cauteloso no volante…
Queríamos registrar umas lembranças pra nós mesmos e principalmente pra levar pra família curtir com a gente, então veio a idéia de adquirir uma filmadora. A filmadora vem com um software superboqueta pra editar o vídeo, o que gerou a necessidade de “adquirir” um software de edição mais bodoso. O software bodoso tem tantas funcionalidades que na exploração destas descobri uma em particular, e o resultado disso é o vídeo que vocês terão o prazer de assistir agora, que no final das contas nem utilizei a filmadora pra fazer (foi com a webcam mesmo). É minha primeira superprodução em stop-motion (minha mãe que é danada vai procurar no google, por isso não vou ser estraga-prazeres explicando aqui…) e se chama “A Incrível Viagem do Cogumelo Alucinógeno do Mario Bros. que Comeu um Cogumelo Alucinógeno”. Não tem som mesmo, não adianta aumentar. Afinal o cogumelo nem tem boca pra falar…
- Os caras aqui comem pizza no almoço. E não é a pizza que sobrou da janta não, as pizzarias abrem e entregam pizza durante o dia, as “cafeterias” servem pizza com salada.
- É muito comum a calça “pega frango” ou “pula brejo”. E não é porque o defunto era menor não, pelo que estou entendendo o pessoal gosta é assim pois evita sujar a barra quando chove ou neva. Ou seja, é literalmente calça de pular brejo…
- A cozinha local canadense é quase que inexistente. Um dos únicos pratos típicos daqui é o tal de putine, que é um monte de batata frita com queijos cheddar e parmesão em cima….
Nessa época do ano as 5 da tarde já está noite. Noite mesmo, com lua e estrelas. Diz que piora um pouco até o invernão, quando a noite chega as 4h.
- O transito em geral, como já disse várias vezes, é bem tranquilo, os motoristas são bem educados. Agora os pedestres são muito folgados. passam no vermelho e nem olham pra ver se vem carro. Pra dirigir no centro tem que prestar muita atenção nos pedestres malucos.
- A população idosa é grande e ativa. O fato das ruas serem seguras e os locais publicos acessíveis permitem que eles circulem a vontade. É muito comum ver velhinhos passeando sozinhos com suas bengalinhas, no shopping, nos parques, até andando de bicicleta.
- Qualquer restaurante que você vai logo que chega antes de pedir vc ganha um copo d’água. Se vc não escolher mais nada pra beber, pode ficar pedindo pra completar o copo d’água à vontade, de grátis… também, é agua da torneira!!
- Conforme vai chegando o inverno e o clima esfriando, ao contrário do Brasil, as academias vão ficando mais cheias de gente.
Curioso como todo o visual da cidade muda. Não estou falando somente das árvores e plantas, que certamente são as protagonistas das mudanças com suas folhas cadentes e suas cores típicas. Falo também das mudanças patrocinadas pelo homem. A gente fica todo intrigado vendo qual vai ser a próxima.
Umas duas semanas atrás, apesar do frio e das gramas já estarem mas últimas, vi os irrigadores todos ligados nos jardins em volta do prédio no serviço. Não entendi o que que estavam molhando ali, principalmente porque estava chuviscando. A explicação veio: estavam esvaziando os canos do sistema de irrigação com ar comprimido, pra que não rachassem quando a água dentro dos canos congelasse.
Os jardineiros ao redor do nosso bairro agora se transformaram em removedores de folhas. deixaram os adubos, roçadeiras e tesourões de lado e agora estão com sopradores e colhedores de folhas. E já estão espalhando propagandas de remoção de neve para a próxima estação…
Essa semana vimos duas coisas novas perto do serviço: removeram as redes e cobriram com plásticos a quadra de “volei de praia”, tão popular durante o verão e que agora está abandonada; a outra foi o povo colocando bambuzinho nos contornos dos canteiros no estacionamento. Essa ainda não acabaram, estão contornando todos os canteiros. Claro, pois sem essa marcação só ia dar neguinho subindo no canteiro uma vez que eles ficam todos cobertos pela neve e assim invisíveis. E subir no canteiro pode significar…. isso mesmo: atolamento imediato!
Todo canto da cidade que a gente passa tem alguma coisa sendo preparada ou alguma ação sendo tomada por conta do inverno, como instalando tapetes antiderrapantes nas escadas, embrulhando (!) árvorezinhas com sacos, instalando toldos nas entradas das garagens. O interessante que a gente ve e sente, é que aqui as estações não são simplesmente estações que vem e vão, faz mais frio, faz mais calor, dá praia, dá montanha… na verdade as estações provocam mudanças profundas também dia a dia e no humor das pessoas. A cada estação parece estarmos num lugar completamente diferente.
Sabe aquela vontade quase que irresistível de não sair da cama naquele dia friozinho e chuvoso? Isso, aquela vontade de ficar enrolado no cobertor, só ir até a cozinha pegar um leite quente ou uma sopa e ficar alternando entre ver tv e dormir? Pois isso é uma sensação cada vez mais forte aqui conforme o frio vai chegando. Notamos já alguns dias atrás que não só os dias ficam mais curtos como nossa disposição vai encurtando também!! E a fome aumenta, a busca por alimentos com maior carga calórica é uma atitude quase que instintiva.
Mais uma vez a Mãe Natureza dá a lição: não é à toa que a bicharada que mora nesses lugares congelantes praticam a hibernação. Não sei ainda como vão ser os dias daqui pra frente, mas com certeza vão haver muitas batalhas sanguinolentas pra gente se livrar da tendência natural de passsar o dia debaixo das cobertas, nos braços de Morpheus.