Dias mais longos.. manhãs mais ensolaradas!

March 5th, 2010

Poisé, com o inverno dando lugar pra primavera, estamos tendo dias cada vez mais longos. Hoje de manhã, surpresa: foi o primeiro dia em meses que não precisamos acender a luz do quarto na hora que acordamos!
A diferença do tamanho dos dias é brutal por aqui. Em Fevereiro ainda estávamos só vendo o sol nascer a caminho do trabalho, e se pondo já antes de a gente chegar em casa de novo. Já estava melhor do que em Dezembro quando eram 4 e pouco e já tava de noite, mas mesmo assim… bom, o negócio é que hoje o sol veio dar bom dia na janela! E está aí a fota pra gente recordar!

PS.: dizem por aí que essa semana os ursos acordaram da hibernação. Depois daquela da marmota, já tá virando rotina, hahaha!! Diz que o urso não tem essa de olhar pra ver se tem sombra ou não, o bichão acorda e já sai faminto atrás de comida!

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O início do fim

March 1st, 2010

É, minha gente, parece que o inverno começou acabar. Hoje é o primeiro dia em meses que as temperaturas ficam positivas o dia todo! Claro que flutuam entre 0°C e 2°C, mas são positivas. A neve ainda está lá, e deve demorar um pouco ainda pra sumir, mas o negócio é que daqui até final de Março a paisagem será cada vez menos branca até desbranquear totalmente!
Não deixa de ser um bom momento de reflexão. Afinal o tal do inverno era um dos principais “monstros” que teríamos pra enfrentar nessa nossa jornada. Acho que posso dizer que foi um balanço positivo. Soubemos lidar com ele nas diversas situações, não ficamos isolados da sociedade, não rodopiamos com o carro, não ficamos presos em casa, aquelas coisas malucas que a gente ouve falar e fica imaginando se acontecer com a gente. Pelo contrário, os dias de inverno trouxeram coisas positivas: perdemos o medo do frio, aprendemos ser mais organizados, refinamos nosso planejamento, valorizamos nosso tempo juntos em casa. Tem um ditado por aqui que diz que “é durante os invernos que vem a sabedoria”. Claro que sempre nos mantivemos observadores e atentos; buscamos informações, dicas, ouvimos a voz da experiência tanto de quem nasceu e foi criado aqui como também de quem passou por isso recentemente. Ficamos de olho no que as pessoas faziam e como faziam, o que vestiam, como se comportavam na rua, nos lugares fechados… ou seja, fizemos nossa lição de casa; compramos roupas adequadas, equipamos nosso carro com pneus adequados, utilizamos sabiamente o aquecimento da casa. O resultado foi um inverno tranquilo e também cheio de aventuras. Tirei fotos inéditas de paisagens congelantes, exploarando o mundo macro dos flocos de neve. Fizemos “expedições” no quintal, tentamos fazer bonecos de neve sem sucesso. Fizemos passeios em cidades distantes. Assistimos a um inusitado carnaval no meio da neve, conhecemos as até então misteriosas estações de esqui. Até aprendi a esquiar! Aconhecemos melhor a cidade e um pouco de seus diversos restaurantes, afinal não tem nada melhor pra fazer no frio do que comer, hahaha! Enfim, o inverno está no fim, e podemos dizer que estamos em paz com ele.

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A esquiada que foi

February 25th, 2010

Depois de frustrar com a falta de neve e quase desistir de ser um snowboarder de primeira linha, resolvi chutar o balde e ir pras montanhas mesmo sem nevar. Não entendam mal, como eu mesmo fiz; quando falo que não tinha neve não quer dizer que você chega na montanha e não tem neve nenhuma, na verdade é porque pra uma esquiada saudável, a gente precisa de neve “fresca”, que é fofa e abundante. Quando ficam vários dias sem nevar, e principalmetne quando chove, a qualidade da neve cai muito e esta fica compactada e dura, e já que o pessoal não para de esquiar, vai compactando cada vez mais.
Mas foi então que contrariando os mais entendidos no assunto que eu e meu chefinho fomos pras montanhas. Ele é iniciante, e como está todo empolgado pra aprimorar suas habilidades, não foi difícil convencê-lo a ir pra lá, especialmente sob a promoção paga 1 esquiam 2 que rola nas segundas-feiras. E fomos nós pra minha estréia. Minha maior preocupação não era de esquiar propriamente, mas sim de entender como que funciona a bagaça toda. Eu iria precisar do serviço completo: aluguel de equipamento e passe para a montanha.
Saimos eu, a Nívea e o Guillermo do serviço e caimos na estrada. Levei uma rapa de roupa, já que não tinha idéia do que usar pra não passar frio. Depois do episódio do Subestimando o Frio, não quero saber de passar outro perrengue desses. Uns 30, 40 min depois já estávamos lá.
O negócio é muito sossegado depois que se entende o funcionamento geral. Na verdade a montanha não é fechada, tipo, não tem cerca e paga pra entrar. Fica a disposição do povo. Vc paga o passe na verdade é pra usar o “lift”, que nada mais é do que um teleférico só de ida. E no pé da montanha fica um “chalé” que na verdade é um prédio com várias facilidades, como sanitários, lanchonete, barzinho, loja, e aluguel de equipamentos, é tipo um shopinho de conveniência.
Depois de comprar os tickets na barraca logo na entrada da montanha, fomos até o chalé. A Nívea se aninhou no restaurante pra assistir ao show dos esquiadores profissa. Ela não animou em experimentar a aventura de escorregar pelas montanhas, com um risco altíssimo de se esborrachar!! E eu fui pro aluguel das paradinhas. Não precisei do pacote completão, já que tenho parte do equipamento (a parte mais importante – o capacete!!) e fui alugar a bota e a prancha. Me mediram e tomaram algumas anotações pra trazerem um equipamento adequado. Daí já começa a passação de mal. Eu tava que tava inchado de tanta blusa e nem conseguia abaixar direito pra colocar as botas. Me esganei e acabei conseguindo. Com a bota no pé, fomos até a beirada da montanha pra primeira lição: encaixar os pés na prancha.
O snowboard, diferente do esqui, é ingrato porque seus pés ficam presos na prancha e vc não tem aquelas varetas pra tomar impulso. Resultado, se vc trava os pés e está no plano, vc fica paralizado. A primeira lição foi: trava um pé e fica dando impulso com o outro. E assim fomos até o lift. A lição numero 2 é aparente simples: descer do lift. Assim como qualquer teleférico, o lift não para pra vc descer, ele fica andando sem parar. A pé é tranquilo, afinal ele passa devagarzinho na hora de desembarcar, o problema é com uma prancha de um metro e meio colada em um de seus pés. Me concentrei e consegui sair do tal do lift sem tomar uma esborrachada já de início. E digo que não é fácil como parece não.
Terceira lição: travar o segundo pé e conseguir levantar. Nó. Passei mal já aí. Meu excesso de blusas, além de me fazerem suar como um porco ainda me atrapalhavam bastante nos meus movimentos. Mas depois de muita luta fiquei de pé pra começar a descida. Daí pra frente foi o puro sofrimento. Queda atrás de queda, a parte mais difícil da brincadeira era sempre conseguir ficar de pé de novo. Uma luta que levou todas as 2 horas que demorei pra descer a montanha, uma única vez. O Guillermo sempre preatativo me acompanhou a descida toda, ensinando o quanto podia.
Como cheguei exausto, isso foi tudo no primeiro dia. Pedi penico e devolvi o equipamento. Na verdade se eu demorasse as mesmas 2h pra descer a segunda vez o parque já estaria fechado!!
Mas foi isso aê! Bastou ir na fé que acabou dando certo. Senti na pele, mas especificamente no traseiro, que a neve compactada dificulta não só o controle da prancha como torna as quedas mais desagradáveis. E vamo que vamo, porque eu quero é mais!

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Curso de Frances

February 18th, 2010

Enfrentamos o inevitável: fomos fazer a matricula no curso de francês. Inevitável porque de alguma forma a nossa permanência aqui em Montreal nos compele a entender um mínimo da língua tão defendida aqui na província. A língua é a chave da identidade dos Quebecois, o elo que os une com suas raízes da colonização francesa. Chave a qual que é defendida com unhas e dentes do domínio da língua inglesa que impera nas outras províncias canadenses. História de lado, o fato é que é interessante, para uma imersão mais completa na sociedade local, que falemos o tal do francês. E portanto lá estávamos os três: Padovaz Nívea e Mellow, na maior intenção de fazer o curso.

O local escolhido foi o YMCA (isso mesmo, aquele clube de moços eternizado pelo clássico do Village People), que como qualquer curso exige que seja feita uma prova pra qualificar o candidato para o nível mais adequado. Se perguntassem diretamente pra gente não seria difícil responder que o nível mais indicado é o mínimo dos mínimos, o básico do básico, afinal nenhum de nós três tinha estudado a língua antes. Mas pros caras do Uái-êm-sí-êi não teve conversa: tem que fazer a prova.

E assim fomos lá fazer a prova então. Chegando no local fiquei de cara: apesar das ruas estarem vazias com todo esse frio, lá tava que nem um formigueiro, gente pra todo lado. do corredor principal dava pra ver a recepção enorme, num mesanino se viam através dos vidros as classes de ginástica bombando e no piso inferior uma enorme piscina impregnada de alunos de todas as idades aprendendo os fundamentos da natação. Lotado o lugar. Segundo a mocinha da recepção, o curso de línguas ficava no… 5o. andar! vixi, andares e mais andares de puro YMCA!
Chegamos faltando 5 minutos pro horário máximo pra se fazer a prova, que era 17:30h. Chegando lá a burocracia de sempre: a mulher ao saber que queríamos fazer a prova sacou de detrás do balcão três provas, tres fichas e tres lápis, nos mostrou uma salinha onde teriam cadeiras e mesas.
Essa hora foi comédia. Nós tres juntando nossos conhecimentos de francês não sairíamos do “bon jour”. Mas tem que fazer vambora…. alguimas risadas depois chega um quarto elemento na sala com o kit provinha na mão. Ele perguntou – em frances – alguma coisa que não entendemos. E continuamos a rir da situação. Depois que o cara sentou e começou a fazer a prova, ele perguntou em inglês dessa vez se podia conversar enquanto fazia a prova. O Mellow respondeu: pode, mas não vai ser bom pra você, você só tem a perder com isso”. haHAhaHaH.. ele tinha razão, já pensou o cara colando da gente? Isso porque ele sabia falar frances, coitado. Passados uns 5 min, e mais risadas e comentários do tipo “a quinta questão é pra fazer o quê?” a gente concordou em entregar as provas preenchidas pela metade (metade eu fui generoso, estou considerando o nome e a data também como parte do preenchimento da prova, hahaha). O carinha indignado, perguntou: ué, mas já? vcs já terminaram?!?. Coitado, deve estar até agora achando que a gente terminou rápido de tanto que a gente manja frances…
Daí ao retornarmos as provas no balcão da dona moça, ela informou: “Bem, ok, agora tem a prova oral”. Piada. O “bon jour” e olhe lá não ia adiantar em nada pra avançar alguma etapa, mas vamborta de novo. O Mellow foi primeiro e já conseguiu convencer o cara de que a gente nqueria era começar do comecinho mesmo. Fomos todos juntos na salinha dele quando veio a surpresa: a gente já ia pular o módulo introdutório, de tanto que a gente manja francês!! Já íamos direto pro Básico 1, hahahahahaha!!! Explico: na verdade não depende de quanto a gente sabe o francês. Ele nos informou que o curso introdutório é pras pessoas de língua nativa totalmente diferente como o russo, o mandarin, o japonês, o tailandês, ou seja, é pras pessoas que nem desenhar o alfabeto latino sabem. Os nativos das línguas portuguesa, espanhola, inglesa e que já tenham tido algum contato com a lingua francesa (entenda-se já escutaram pessoas falando francês por aí) não precisariam fazer o curso introdutório.
Yu-hú, assim sendo já vamos então começar o tal do curso… do Básico 1 por favor!

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A esquiada que não foi

February 9th, 2010

A minha maior frustração nesse nosso primeiro inverno sub-zero foi a esquiada que não foi.
Pode ser culpa do CO2, dos metanos, petróleos, Kiotos e Compenhaguens, geleiras derretentes ou da camada de ozônio (essa tá fora de moda), mas o fato é que a neve abundante que se espera de um típico inverno canadense não existiu. Ao invés dos 2 ou 3 metros de neve que costumam cair aqui em Montreal e arredores, tivemos algo perto de meio metro. Pode ser cedo pra falar, mas uma vez que a marmota já deu as caras, não sei o quanto podemos contar com futuras tempestades.
Antes no final do ano teve a primeira tempestade que mudou toda a paisagem da cidade. Começamos bem. Não fui esquiar porque essa primeira tempestade caiu muito em cima da hora da gente embarcar de férias pro Brasil. Na volta, fomos surpreendidos por uma chuva maluca que lavou a pouca neve que ainda restava. Depois disso, foram uns 3 cm num dia, 1 no outro, e assim tem sido, nada de neve de verdade, em volume de 10cm ou mais.
As estações de esqui da região fracassaram, e os poucos gatos pingados que se atrevem a dar uma deslizada acabam mal por se deparar com muito gelo e pouca neve, o que torna a atividade sem graça e pior – perigosa, já que cair na implacável e sólida superfície do gelo é bem mais doloroso e perigoso do que cair na fofura da neve.
E assim foi. Cheguei maior empolgadão das férias, fui na loja comprar parte do equipamento (a parte não-alugável nas estações) e esperar a próxima oportunidade. Já até tinha um carinha aqui que se dispôs a me ensinar o bê-a-bá. Já tinhamos o esquema de sair do trampo e ir diretão pra estação mais próxima, a de Saint Sauveur. Só não tínhamos – e não temos ainda – a tal da neve.
Eu olho sempre a previsão do tempo e só vejo sol, sol, sol…
Quem sabe no inverno que vem? Se o mundo não acaber antes… ah, esqueci, o mundo só acaba em 2012!

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O Dia da Marmota

February 4th, 2010


Tem uma lenda – na verdade um fato da natureza natural dos bichos do reino animalesco – que diz que tem um dia que a marmota – um daqueles ratões gigantes que comem as cenouras e nabos debaixo da terra nos desenhos animados – acorda de sua hibernação e dá uma espiada pra fora da terra pra ver como estão as coisas. Se o dia estiver nublado, a marmota sai da toca e acorda de vez, sinal de que o inverno vai acabar rapidinho. Se tiver sol, a danava volta pro buraco e tira mais um cochilo, pois o inverno ainda vai durar mais 6 semanas. Isso já foi até feriado aqui no Canadá. É o Dia da Marmota, 2 de Fevereiro. O pessoal fica muito feliz e sai até no jornal que a marmota tirou o cabeção pra fora, dizendo se estava nublado ou estava sol…
E foi assim alguns dias atrás, a marmota saiu, os jornais noticiaram o fato, e estava sol. Sol e frio pradedéu. E assim sendo, o inverno está com os dias contados: 6 semanas!

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Pinga ni mim – nosso pequeno “contrabando”

February 1st, 2010

Não sei porque cargas dágua achei que cada passageiro podia passar com até 2L de bebida alcóolica através das fronteiras canadenses. Mas foi o que eu considerei quando soquei uma velha garrafa de whisky 18 anos que já tinha desde os tempos de São José, fechadinha, juntamente com mais 2 garrafas de cachaça mineira da boa no meio das nossas malas. Se são 2L por pessoa, com 3L de bebida ainda estamos com certa folga.
A tensão já começou poucos minutos depois da decolagem, quando recebemos o papelzinho do Canadian Customs, no mesmo estilo do que recebemos da Polícia Federal para a entrada no Brasil. Tudo que temos a fazer é nos identificarmos e declararmos as mercadorias adquiridas no exterior, para fins de taxação. Juro que li tudinho e ainda assim estava em dúvida se eu deveria declarar alguma coisa. No caso do Brasil, só é necessário declarar o que tenha passado do limite não-taxável, e resolvi considerar assim mesmo. Mas o problema era a cachaça: não tinha nada de 2L lá não, o limite de 2 garrafas no caso de vinho e de 1.14L pro caso de destilados; 24 latinhas se fosse cerveja e outras coisas mais. Falassério, pra que simplificar, né? Viajei nos limites, mas uma coisa era certa: minhas canas estavam a mais do que o permitido. Agora ficava a dúvida do que fazer: declarar a quantidade real acarretaria somente em pagamento de uma taxa qualquer ou acabaria fazendo a gente atrasar e consequentemente perder a conexão com o trem pra Montreal? Ou declarar uma quantidade falsa e correr o risco de se enrolar ainda mais e perder de vez o trem e talvez algo mais? Não é do meu feitio, mas a situação apertou e o instinto falou mais alto, deixando aflorar o jeitinho brasileiro que fez surgir a terceira opção: omitir a informação até quando possível, o famoso “migué”. Não que fosse na cara dura, afinal de contas, se eu considerasse as regras brasileiras as bebidas em conjunto não ultrapassariam o limite não taxável, e as regras canadense estavam dúbias. Fora que no cartão não tinha onde declarar a quantidade de álcool, só tinha um campo pra declarar o valor das mercadorias. O cartão era um só por família, a Nívea estava tranquila compenetrada nos seus pensamentos (não cai, avião… não cai, avião… não cai, avião…) e resolvi não levar o problema até seu conhecimento. Bom, deixa pra lá, ficou em branco…
Umas oito horas depois é a hora de desembarcar e enfrentar o probleminha que até então estava varrido pra debaixo do tapete. Caso ninguém falasse nada, iríamos deslizando sem problemas até a saída, pro busão que nos levaria até a estação de trem. Mas na triagem da imigração já rolou o desgosto: a mulherzinha depois de checar nossos vistos quis dar um bizu no cartão da declaração e já embassou: “Senhor, o campo aqui está em branco. Vc deve declarar o valor das mercadorias que está trazendo”. Respondi que não estava trazendo nada além de meus pertences, e ela insistiu, perguntando se eu não tinha comprado nada nem recebido presente nenhum. Após hesitar um pouco, respondi dizendo que não, considerando que as coisas que eu estava trazendo poderiam ser todas consideradas itens de uso pessoal. Daí ela mandou uma na mosca: nem tabaco ou álcool?
Chiiii… olhei pra ela e disse “sim, estou trazendo sim”, e ela já com cara de preguiça mandou um “então, (meu filho) vc tem que declarar…” Mas eu ainda tinha uma carta na manga e disparei: “Mas é de pouco valor, não atinge a cota permitida para taxação”. Fazia parte do migué. Mas ela rebateu: “Não importa, vc tem que declarar qualquer quantidade de álcool” e de posse do cartão engatilhou uma caneta e continuou: “quantos litros?”. Mais uma vez e instinto tomou a frente e sem titubear já mandei: “2L”. e com a canetona vermelha ela escreveu no meio do cartão: 2L
Nesse momento eu já bolava um plano B na cabeça, também baseado nas frágeis porém eficientes estruturas do migué: nenhuma das garrafas continha de fato 1L. Duas delas continham 700ml. Uma 900 e uns quebrados. No total não chegava a dois litros e meio, e ainda dava valor quebrado. Um prato cheio para mandar o migué do “nossa, me confundi nas contas…”. De madrugada, depois de 9h de vôo… sei lá, se pá até cola!
Pois passamos do balcãozinho da moça com o cartão rabiscado com a informação “imprecisa”. Só precisávamos por as mãos nas malas e chegar até a saida mais próxima. Como ainda estávamos de posse do cartão, significava que teríamos que entrega-lo para mais alguém, que seria a fronteira final antes da liberdade.
Pegamos as malas no carrossel e começamos caçar a saída. Momento em que a Nívea, até então alheia ao problema etílico, mandou uma inesperada e bombástica pergunta: “Se eles quiserem ver as bebidas, mesmo que deixem passar, eles não vão embassar com o monte de comida que estamos trazendo?”. Eu não tinha pensado nisso, enquanto estava planejando o migué dos cálculos volumétricos. Ela tinha toda razão. Seguindo a lógica do preenchimento do cartão explicada pela mocinha da triagem, todos os comes – e nem todos politicamente corretos – deveriam ser declarados como bens adquiridos no exterior. Putz, a m$@%da estava armada.
Pra tranquilizar a Nívea, minha resposta foi: “Pega nada, são todos produtos industrializados…” certo, certo… sacos de chás compostos por sementes e ervas , doces de frutas frescos embalados somente em plastico, derivados de leite, buchas orgânicas do quintal da minha mãe… nem tudo se encaixava exatamente no conceito de “produto industrializado”.
Como não foi de propósito, enquanto empurrava o carrinho pensei: “agora já era, se embassarem, não há nada mais a ser feito…”. Não sei dizer o quanto a Nívea estava preocupada com isso, mas pra mim foram momentos de tensão total. O rush de adrenalina veio na hora que embicamos o carrinho num corredor onde no final se viam duas guardas com cara de mau e as mãozinhas cruzadas nas costas e os pés firmes no chão. Sim, seriam elas as designadas a receber o cartão, nesse momento a porta detrás das guardas era definitivamente a fronteira final pra liberdade. Fomos nos aproximando, empurrando o carrinho com as malas recheadas do que agora oficialmente poderíamos classificar como contrabando. Cada passo era um terror. As fitas para controlar o fluxo de pessoas iam se afunilando em direção às duas. A porta da liberdade era estreita. A poucos passos de uma delas paramos o carrinho. Cada uma das guardas tinha um montinho de cartões em um das mãos, não deixando dúvidas do que elas estavam fazendo por lá. Estendi a mão com o cartão. A guarda, inexorável, me fitando com olhar ameaçador alcançou o cartão e deu uma boa olhada nele. Meneou a cabeça e mandou: “Obrigada, senhor”.
Liberdade. Caiu do cavalo quem achou que essa história ia acabar mal!

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Tempo Loco

January 26th, 2010

Durante nossas férias vimos no Brasil um clima muitodoido, sol de rachar em Minas, sem as tradicionais chuvas de verão, e em SP chuvas torrenciais sem fim. Não que todo ano não aconteçam enchentes e desmoronamentos, não que todo ano não morram famílias soterradas ou afogadas, mas esse ano está demais. Nunca vi tanta chuva caindo sem parar, por tantos dias seguidos.
Acabadas as férias, de volta a Montreal. Chegando aqui, aparentemente tudo normal: frio do cão, neves acumuladas por todos os lados. Mas logo na segunda-feira acontece o inesperado: chuva! Choveu o dia todo, e a temperatura chegou nos 8 graus. Não faltaram os comentários: “nossa, vcs trouxeram o calor do Brasil”. Mas piadinhas à parte, o canadense que conhecemos aqui, nascido e criado em Montreal, disse que nunca tinha visto isso acontecer no meio do inverno. Era tempo típico de Setembro, quando está friozinho e chove bastante.
Resultado: não alagou nada, não morreu ninguém… mas quase toda neve acumulada foi “lavada”. Ficou um clima estranho, e mais um canto do planeta que entra na lista dos “com clima esquisito”, junto com as nevadas na Flórida, as tempestades de neve no meio da Europa, o inferno em terra na Austrália…
Bom, pode até ser que não seja só por causa do efeito estufa, mas que o clima está mudando, e já mudou bastante, isso não dá pra negar.

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Acabou-se o que era douce…

January 25th, 2010

Enfim, acabaram as férias. O final de semana foi só de viagem, e hoje já pegamos no batente. Nem deu pra curtir direito a reentrada no país, chegamos já estava escuro, fomos trabalhar ainda estava escuro e voltamos já no escuro de novo… mas deu pra ver que está tudo no mesmo lugar. Nossa casa estava como a deixamos, o escritório estava lá esperando, as ruas, as árvores peladas, a neve… tudo daquele jeito!
Sejamos bem-vindos de volta!
As férias foram excelentes, o calor brasileiro, a recepção da família, as visitas que fizemos e recebemos. Foi revigorante, relaxamos e aproveitamos bastante. Pra começar 2010 com o pé direito!

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Férias

January 1st, 2010

Só de féria no Brasil…
Até a volta!

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